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Conheça nossa sala de meditação!
Ainda na juventude, começamos nossa viagem na prática da meditação. Um
mestre indiano, Sri Maha Krisnha
Swami, iniciou-nos no caminho da Índia, de
onde trouxe a Maha-Yoga.
Fizemos treinamento com ele durante muitos anos em São Paulo, até que se
fez maha-samadhi (desencarnou).
Aprendemos e passamos a ensinar que meditar é estar consigo mesmo alguns
minutos por dia. Portanto, não está fora do alcance do cidadão normal e não
é nada de extraordinário. A prática da meditação não requer esforço algum e,
na verdade, só pode ser feita com bons resultados na ausência de qualquer
esforço. Querermos forçar a nossa mente a adotar um estado meditativo é tão
inútil quanto pretendermos empurrar um carro enquanto estamos dentro
dele.
Cada um de nós é um resumo do universo inteiro, somos o micro dentro do
macrocosmo. O estado natural da mente humana inclui a possibilidade de ver
ou perceber a essência de todas as coisas ao mesmo tempo.
Quando isto acontece, atingimos o êxtase, o samadhi, o satori. Só não
alcançamos com facilidade este estado natural porque ficamos presos a
mensagens dos cinco sentidos físicos, que são registradas, organizadas e
catalogadas a cada segundo em nossa mente em função de lembranças do passado
e antecipações do futuro.
Esse fluxo incessante de idéias e estímulos forma uma espécie de videogame
que nos hipnotiza e coloca diante de uma tela mental estreita. Nos planos
inferiores de consciência, obedecemos a um jogo de opiniões e desejos,
simpatias e antipatias, atrações e repulsões e nos comportamos como se
fôssemos o centro do universo. Meditar é sair deste círculo vicioso. É abrir
a janela e respirar ar puro. É perceber o espaço livre entre um pensamento
e outro.
A prática da meditação não consiste em se trancarem no armário as nossas
emoções e idéias, mas em se perceber, observar e compreender tudo o que
existe dentro e fora de nós. Pode parecer estranho mas, para meditar com
eficácia, é necessário deixar de lado toda idéia preconcebida de eficácia na
meditação.
O primeiro passo é sentar-se em uma cadeira, com a coluna ereta, em local
tão silencioso quanto possível, bem arejado e respirar ampla e calmamente.
Podemos então observar o desfile de pensamentos e sentimento como se fossem
nuvens no céu, empurradas pelo vento da alma. Não importa se as nuvens são
claras ou escuras nem se os pensamentos vêm carregados de paz ou de
ansiedades.
Interessa-nos o céu inteiro da nossa mente e não o espetáculo
passageiro que desfila por ele. Na verdade, os pensamentos passam no ar como
nuvens ocultando a luz do sol interno que é o eu superior. Perceber a
passagem dos pensamentos leva gradualmente a um céu limpo e sem nuvens, onde
o sol brilha e a meditação é irrestrita.
Continuando nossa busca e passando por treinamentos com outros mestres
orientais da meditação, aprendemos que há milhões de maneiras de meditar.
Junto com Kátia, aprendemos com Sensei Kohen as técnicas e
atitudes da Escola Soto-Zen, a meditação silenciosa do Japão.
Na verdade, nem uma só pessoa consegue fazer a mesma meditação duas vezes. A
cada dia, a meditação é diferente. Ela não é um processo morto nem um ritual
mecânico. Nada tem a ver com a mera paralisação do cérebro físico em torno
de uma imagem congelada por meio da força de vontade ou repetição de
palavras.
Nos Cursos de Meditação, explica-se que não existe uma
técnica única, igualmente eficaz para as pessoas de todas as idades e
temperamentos. Quando um buscador da verdade tenta meditar e não consegue, o
fracasso não é dele, mas da técnica usada. O único fracasso é não tentar e
tentar significa ter uma atitude experimental, obedecendo a certos
princípios básicos e sendo livre para caminhar com as próprias pernas.
Bhagavan Sri Ramana Maharshi ensina que, quando o praticante de
meditação tenta serenar a mente, o conteúdo do seu subconsciente - tudo o
que está esquecido ou reprimido - vem para a luz do dia. O correto é dar as
boas-vindas a todo esse conteúdo mental desordenado. É preciso revirar o
solo de vez em quando para que ele fique fértil. É essencial se purificar a
base da vida diária. Isto se chama auto-observação.
Ninguém pode meditar - olhar o céu - sem ter os pés firmemente plantados no
chão. Você senta para meditar, respira profundamente, pensa na fraternidade
universal, lembra que ainda lhe falta pagar o condomínio do prédio ou a
prestação do apartamento.
Contempla interiormente a longa marcha evolutiva da humanidade em direção à
sabedoria eterna e percebe que está com pouco dinheiro na sua conta corrente
bancária. Decide concentrar-se no centro de paz eterna que há em seu
coração, sente uma dor na coluna, coça a cabeça, esfrega o olho e se
descobre pensando como será o dia de hoje no trabalho. Calma... calma...
calma...!
Normalmente, pode-se dividir a consciência humana em três níveis principais:
acima, o supraconsciente; abaixo, o subconsciente e, no meio, o consciente.
O supraconsciente é o seu potencial divino, Deus, Atma-Baddhi, Cristo, o Eu
Superior.
Essa energia universal fica acima de toda expressão verbal. As palavras, por
mais inspirada que sejam, só podem apontar para ela como um dedo apontando
para a lua.
O subconsciente armazena as nossas impressões do passado,
expectativas do futuro, frustrações, desejos, ilusões, decepções e nossa
identificação com o mundo em termos de percepção animal e instintiva. O consciente é o princípio tipicamente humano em nós, que vincula céu e terra,
quer erguer-se e cai, dá um passo à frente e outro atrás, pensa que é divino
e, às vezes, comporta-se como um animal.
Meditar é abrir uma janela dupla que rompe ambas as linhas, ampliando a
ligação vertical que une todos os nossos níveis de consciência. Temos de
integrar, então, mais luz e mais sombra à nossa percepção da vida. Começamos
a subida da montanha e, a cada passo, o perigo do tombo fica mais grave. A
segurança está em dar as boas-vindas ao conteúdo subconsciente, praticar
serenamente a auto-observação e organizar a nossa vida cotidiana em função
do ideal de auto-aperfeiçoamento.
A meditação é, para muitos buscadores da verdade, o momento mais importante
do dia, o aspecto mais elevado da disciplina espiritual. Porém, não basta.
Além dela, a auto-observação iluminará o subconsciente, dando um alicerce
seguro para a contemplação da vida celeste, o estudo de bons livros ampliará
nossa mente e o trabalho altruísta far-nos-á deixar de lado o egoísmo.
Todos esses elementos são inseparáveis.
Em nossos treinamentos e iniciação com a escola Chagdu Tulku
Rimpoché,
observamos que, para a tradição tibetana de sabedoria, a terra, o homem e o
céu formam a grande tríade. O sábio aprende a ser amplo como o céu e firme
como a terra, ajudando na ampliação da escada de Jacó que liga o
mundo dos homens e o mundo divino - segundo a visão bíblica.
Esta ligação se
dá dentro de nós. A escada de Jacó em nosso interior tem o nome sânscrito de antahkarana - a ponte entre o eu superior e o eu inferior, que se
amplia através da prática regular da meditação.
Praticar meditação deve ser uma atividade freqüente. Há dias em que a
meditação rende mais. Ler a respeito de meditação é um fato, praticar
meditação é outra realidade totalmente diferente. Por exemplo, você pode ler
livros de natação mas, se cair no rio e não souber nadar, morre afogado e
com a meditação é semelhante. Teoria sem prática é como fé sem
obras.
Há dias em que a mente do praticante parece um macaco furioso e gritador que
pula de galho em galho, faz caretas e muitas vezes desvia a atenção. Nesses
dias difíceis, é mais importante do que nunca prosseguir a prática com toda
paciência e sem nenhum desânimo. O progresso, feito na meditação, raramente
se mostrará durante a prática diária. Os efeitos serão sentidos em forma de
maior paz interior durante o dia todo, mais clareza de objetivos pessoais,
maior capacidade de concentração mental. Uma espécie de contentamento
incondicional tenderá a ir iluminando, gradualmente, todas as situações do
dia-a-dia.
Meditar faz parte desse trabalho de autoconstrução e nada tem a ver com
supostos poderes extraordinários ou ilusões de auto-importância. Trata-se
apenas de se desenvolver uma amizade mais profunda com nosso eu superior, em
torno de um projeto de evolução em direção à luz. É morrer para a agitação
superficial, de modo a poder renascer em uma dimensão mais elevada da vida.
Com sinceros votos de muita paz a tudo e a todos, ficamos à disposição para
responder e esclarecer pontos relacionados a esse tema.
Encerramos com saudações holísticas! |